Sem Convicções
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“Sem convicções, mas com provas: provas que a vida é campo de forças”
.... estou pensando no tempo o ciclo intenso, velocidante e molecularmente refém da vida. Quando esperamos de forma desesperançada, não vivemos o tempo do ciclo de intensidades provocantes e acontecentes.
Quero produzir os reversos – rever – solitários e esquecentes como radical entendimento. Sinto medo de ser dês-surpreendida por mim e por ela – a vida. Talvez quisesse aquilo que sempre me deixou a deriva: uma suave insensatez de entendimento, uns doces por-quês com o mundo e a busca sempre singular do saber e dos dês-saberes plurais e fortes.
Nomadismos de bando, a – sedentarismos de individuação, aposta no trágico, chamamento do desejo, desafio para a queda de braços. A natureza como a grande potência do falso.
Entre a certeza e o aconchego do recolhimento e da proteção, sigo preferindo o abismo sem lamentos ou piedades, aprendendo os recuos mais sedentos, os horizontes mais inóspitos, aprendendo a viver das gotas a fartura da sede saciada e a imprescindível possibilidade que a vida que é fértil e provocadora cria e recria aquilo que não nos pertence.
Trás e tira com a mesma benção e vontade vermelha. Os fortes param de sofrer porque aprendem que perder, morrer e desfazer-se dançam juntos no bailado com a alegria, a potência, no “amor fati”. Atiram-se ao rochedo que aprofunda a queda e suas ranhuras, mas que faz os instantes de vôo.
Para estar no ar em absoluto, é preciso aprender os abismos e suas inóspitas alturas. A cautela e o comedimento pode nos jogar para as paredes rochosas e pontiagudas, por isso me atiro no meio em velocidade de queda. Onde isso pode nos levar? Sabemos fortemente que a lugar nenhum. O lugar nenhum é a busca e a alegria.
Um ser de arriscabilidades e de sim sabe que a velocidade zero é preciosa e que nela os rochedos são navalhas que lhes servem de tatuagens para serem riscadas na pele, no plano imanente de suas geografias, desenhos, rabiscos e costuras, dobras que grafitam um corpo onde a vida e os acontecimentos tiveram a desnecessária permissão de existir. Desnecessária, porque a vida existe independente de nossa permissão – então escolher o nobre acolhimento que possibilita ali permanecer e se tronar dês-marcas, riscos em linhas de fuga, des-fazimentos.
Talvez já tenha mochila feita para percorrer as linhas em palavras. Aliás, por vezes elas urgem porque o esquecimento, que é apenas a substituição de intensidades apreendidas, pode as esvaziar e ai andamos ainda mais.
As linhas re-editarão, provas e sempre mais provas de um diferença repetida.
Nunca convicções. A vida repete e repete e repete uma diferença que não nos deixa. Quanto a mim, esta diferença rebelística me desassossega desde pequena e desenha os tais riscos em minha pele. Por isso de tanto em tanto preciso cuspí-las em palavras.


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